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Manoel
de Barros - Poeta Brasileiro
Manoel
Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá, 19 de dezembro de
1916) é um poeta brasileiro do século XX, pertencente,
cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente
ao Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das
vanguardas européias do início do século
e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade.
Recebeu vários prêmios literários, entre
eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta
brasileiro da contemporaneidade nos meios literários.
Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou
o "título" de maior poeta vivo do Brasil em
favor de Manoel de Barros
A vida e o contexto
Nascido
à beira do rio Cuiabá, um ano depois sua família
foi viver em uma propriedade rural em Corumbá, mudou
ainda quando criança para Campo Grande e, mais tarde,
para o Rio de Janeiro, a fim de completar os estudos, onde formou-se
bacharel em direito em 1941[2].
Tendo
estado 10 anos em um internato, rebelou-se contra a escrita
do Padre Antônio Vieira, por lhe parecer que para aquele
a frase era mais importante que a verdade. Através da
leitura da poesia em prosa de Arthur Rimbaud, Manoel de Barros
descobre que "pode misturar todos os sentidos".
Seu
primeiro livro não era de poesia, e teria se perdido
em razão de uma confusão com a polícia.
Quando vivia no Rio de Janeiro, aos 18 anos, tendo entrado para
a Juventude Comunista, pichou as palavras "Viva o Comunismo"
em uma estátua. Quando a polícia foi buscá-lo
na pensão onde vivia, a dona do estabelecimento pediu
para "não prender o menino, tão bom que até
teria escrito um livro, chamado 'Nossa Senhora de Minha Escuridão'".
Tendo o policial que comandava a operação se sensiblizado,
o poeta não foi preso, mas o livro foi perdido, pois
o policial levou-o consigo.
Embora
a poesia tenha estado presente em sua vida desde os 13 anos
de idade, teria escrito o primeiro poema somente aos 19 anos.
Seu primeiro livro publicado foi "Poemas concebidos sem
pecado" (1937), feito artesanalmente por amigos numa tiragem
de 20 exemplares mais um, que ficou com ele.
Rompe
com o Partido Comunista quando o seu líder, Luís
Carlos Prestes, após 10 anos de prisão política
durante o regime getulista, resolve declarar apoio ao presidente
Getúlio Vargas, que já havia entregue sua esposa
Olga Benário ao regime nazista da Alemanha, onde ela
morreu.
Após
sua decepção, vive na Bolívia, no Peru
e também, durante um ano, em Nova Iorque, onde faz um
curso de cinema e pintura no Museu de Arte Moderna.
Na
década de 1960 voltou para Campo Grande, onde passou
a viver como criador de gado, sem nunca deixar de trabalhar
incansavelmente em seu ofício de poeta.
Apesar
de ter escrito muitos livros durante toda a sua vida e de ter
ganho vários prêmios literários desde 1960,
durante muito tempo sua obra ficou desconhecida do grande público.
Possivelmente porque o poeta não frequentava os meios
literários e editoriais e, deduzindo-se das palavras
do poeta (ele diz "por orgulho"), por não bajular
ninguém.
Seu
trabalho começou a ser valorizado nacionalmente a partir
da descoberta deste por parte de Millôr Fernandes, já
na década de 1980. A partir daí, ganhou reconhecimento
através de vários dos maiores prêmios literários
do Brasil, como o Jabuti, em 1987, com "O guardador de
águas".
Atualmente,
é considerado o maior ou um dos maiores poetas vivos
do Brasil, sendo o mais aclamado atualmente nos círculos
literários do seu país. Seu trabalho tem sido
publicado em Portugal, onde é um dos poetas contemporâneos
brasileiros mais conhecidos , na Espanha e na França.
Somente após as suas duas primeiras publicações
em livro, as quais expressavam um lirismo mais subjetivo, a
poesia de Manoel de Barros assume as características
que marcam a sua obra.
Na
sua obra de estréia, "Poemas concebidos sem pecado"
(1937), apesar do tom auto-biográfico de poemas como
"Cabeludinho", nota-se claramente a inserção
do poeta no Modernismo brasileiro de 1922, através da
discussão da tradição literária
brasileira (Iracema), do Parnasianismo, e da influência
de Macunaíma de Mário de Andrade, admitida e criticada
pelo próprio Barros. Algumas construções
próximas do primeiro vanguardismo europeu e da oralidade
brasileira também são perceptíveis[4].
Após
a publicação de "A face imóvel"
(1942), sua poesia passa a ter como "pano de fundo"
o pantanal, indo sua temática, porém, muito além
disto. Sendo aquele o universo onde os poemas se "desenrolam",
ele é representado através de sua natureza e do
seu cotidiano, usando uma linguagem que procura transformar
em tátil aquilo que é abstrato. O filólogo
Antonio Houaiss o compara a São Francisco de Assis, "na
sua humildade diante das coisas" .
Transfigurando
aquele universo aparentemente pequeno, Manoel de Barros mostra,
em realidade, o verdadeiro tamanho do homem diante da natureza,
bem como diante das coisas. Isto fica claro diante, até
mesmo, dos títulos dos seus livros, tais como "Compêndio
para uso dos pássaros" (1960), "Gramática
expositiva do chão"(1966) , "Tratado geral
das grandezas do ínfimo"(2001). Ainda segundo Antonio
Houaiss, a poesia de Manoel de Barros, sob a aparência
surrealista, é de uma enorme racionalidade: "suas
visões, oníricas num primeiro instante, logo se
revelam muito reais..."
Outras
características marcantes da poesia de Manoel de Barros
são o uso de vocabulário coloquial-rural e de
uma sintaxe que remete diretamente à oralidade, ampliando
as possibilidades expressivas e comunicativas do seu léxico
através da formação de palavras novas (neologismos).
Assim, pelo uso que Manoel de Barros faz da lingua escrita reproduzindo
e desnvolvendo o legado da oralidade em todos os seus níveis,
seu trabalho tem sido muitas vezes comparado ao de Guimarães
Rosa, muitos referindo-se ao poeta como "o Guimarães
Rosa da poesia". "Desde Guimarães Rosa a nossa
língua não se submete a tamanha instabilidade
semântica", teria dito o poeta Geraldo Carneiro a
seu respeito.
Pode-se
dizer que Manoel de Barros, na poesia, tal como Guimarães
Rosa na prosa, teria desenvolvido às últimas consequências
aquilo que Oswald de Andrade expressava, programaticamente,
em seu Manifesto Antropófago .
Talvez,
por todas essa características, ele próprio definiu
sua arte como "vanguarda primitiva", tendo consciência
da sua relação com as vanguardas e o modernismo
brasileiro, principalmente o de Oswald de Andrade, vivenciada
junto à natureza. Manoel de Barros nunca se afasta do
"vanguardismo primitivista"(ver primitivismo), como
se pode notar pelo título "Poesia Rupestre"
(2004), ganhador de vários prêmios literários
de repercussão em todo o Brasil.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros
Leia
mais...nos link abaixo
http://www.revista.agulha.nom.br/manu.html
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