MAPA DO SITE/SITEMAP
43 - DOIS EXCERTOS DE ODES
37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47




Music : Vangelis "Aquatic Dance"

 

Dois Excertos de Odes

(FINS DE DUAS ODES, NAIURALMENTE)


I
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
***

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora,
Na distância subitamente impossível de percorrer.
***

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
***

Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.
***

Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes,
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realmente e mandando tudo...
***

Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!
***

Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso é inútil.
***

Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranqüilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem.
***

A lua começa a ser real.

II

Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender das luzes nas grandes cidades
E a mão de mistério que abafa o bulício,
E o cansaço de tudo em nós que nos corrompe
Para uma sensação exata e precisa e ativa da Vida!
Cada rua é um canal de uma Veneza de tédios
E que misterioso o fundo unânime das ruas,
Das ruas ao cair da noite, ó Cesário Verde, ó Mestre,
Ó do "Sentimento de um Ocidental"!
***

Que inquietação profunda, que desejo de outras coisas,
Que nem são países, nem momentos, nem vidas,
Que desejo talvez de outros modos de estados de alma
Umedece interiormente o instante lento e longínquo!
***

Um horror sonâmbulo entre luzes que se acendem,
Um pavor terno e líquido, encostado às esquinas
Como um mendigo de sensações impossíveis
Que não sabe quem lhas possa dar ...
***

Quando eu morrer,
Quando me for, ignobilmente, como toda a gente,
Por aquele caminho cuja idéia se não pode encarar de frente,
Por aquela porta a que, se pudéssemos assomar, não assomaríamos
Para aquele porto que o capitão do Navio não conhece,
Seja por esta hora condigna dos tédios que tive,
Por esta hora mística e espiritual e antiquíssima,
Por esta hora em que talvez, há muito mais tempo do que parece,
Platão sonhando viu a idéia de Deus
Esculpir corpo e existência nitidamente plausível.
Dentro do seu pensamento exteriorizado como um campo.
***

Seja por esta hora que me leveis a enterrar,
Por esta hora que eu não sei como viver,
Em que não sei que sensações ter ou fingir que tenho,
Por esta hora cuja misericórdia é torturada e excessiva,
Cujas sombras vêm de qualquer outra coisa que não as coisas,
Cuja passagem não roça vestes no chão da Vida Sensível
Nem deixa perfume nos caminhos do Olhar.
***

Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira que eu não tenho nem quero ter.
Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio
A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas,
Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria
— Tu que me conheces — quem eu sou ...

ÁLVARO DE CAMPOS

Toni Frissell, or Antoinette Frissell Bacon, (March 10, 1907 - April 17, 1988) was an American photographer, known for her fashion photography, World War II photographs, portraits of famous Americans and Europeans, children, and women from all walks of life.

Antoinette Frissell was born in 1907 in New York City, New York, but took photos under the name Toni Frissell, even after her marriage to Manhattan socialite McNeil Bacon. She worked with many famous photographers of the day, as an apprentice to Cecil Beaton, and with advice from Edward Steichen. Her initial job, as a fashion photographer for Vogue in 1931, was due to Condé Montrose Nast personally. She later took photographs for Harper's Bazaar. Her fashion photos, even of evening gowns and such, were often notable for their outdoor settings, emphasizing active women.
Toni Frissell (1907-1988) began her career as a photojournalist and fashion photographer about the time Frances Benjamin Johnston's was winding down. She demonstrated a versatility equal to Johnston's in her work as a staff photographer for Vogue, Harper's Bazaar, and Sports Illustrated and in her publication of several photographically illustrated books, ranging from A Child's Garden of Verses (1944) to The King Ranch, 1939-1944 (1975).

Frissell´s Carreer

Frissell is perhaps best known for her pioneering fashion photography and her informal portraits of the famous and powerful in the United States and Europe, including Winston Churchill, Eleanor Roosevelt, and John F. and Jacqueline Kennedy. She is noted for taking fashion photography out of the studio into the outdoors, thus placing an accent on the active woman. She is also known for the imaginative angles, both physical and metaphorical, from which she covered her subjects.

The Toni Frissell Collection (340,000 items, ca. 1930-69) includes 270,000 black-and-white negatives, 42,000 color transparencies, and 25,000 enlargement prints, as well as proof sheets, not all of which have been processed for general use. Frissell's own selection of about 1,800 of her best and most representative photographs have been processed for use (LOT 12452) and provide a substantial representation of Frissell's chief interests:
-
children
-fashion
-families
-leisure activities such as eating and drinking
-members of American and British upper classes
-well-known personalities
-sports

Other processed groups of images include a substantial portion of Frissell's documentation of World War II military and civilian activities, both in the United States and abroad. Frissell focused in particular on women's contributions during the war, including their Red Cross activities and a 1943 visit by Women's Auxiliary Army Corps (WAAC) director Oveta Culp Hobby to two WAAC facilities.

Frissell documented women from all walks of life and in all situations, sometimes using them to comment on the human condition. Thus, in the single year of 1957, her work ranged from her quiet portrayal of an elderly African American woman enjoying a barefoot moment fishing in the Tidal Basin in Washington, D.C. (LC-F9-02-5706-053-06), to an intimate portrait of actress Elizabeth Taylor with her husband Mike Todd and their infant daughter (LC-F9-52-5709-52A-26); and from a lyrical depiction of two nuns clamming on Long Island (LC-F9-04-5709-012-07) to a shot of a woman taking a “snooze” on the beach at Waikiki (LC-F9-04-5711-015-22).

Frissell's personal papers, which have not yet been prepared for general use, will be transferred to the Manuscript Division when the entire photograph collection has been processed.

From: http://memory.loc.gov/ammem/awhhtml/awpnp6/frissell_coll.html


Previous | Home | Next
This site is optimized for 1024 x 768 screen resolution & Broadband Connection on Internet Explorer 5+.