|
Dois
Excertos de Odes
(FINS DE DUAS ODES, NAIURALMENTE)
I
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
***
Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé
das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe
vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem
verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora,
Na distância subitamente impossível de
percorrer.
***
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo,
à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe
e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos
que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de
maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com
o que há na vida.
***
Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço
chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.
***
Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes,
Sabor de água sobre os lábios secos
dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto
amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo
talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realmente e mandando tudo...
***
Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
ó domadora hipnótica das coisas que
se agitam muito!
***
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira antiquíssima,
que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já
perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso é
inútil.
***
Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranqüilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo
branco, ou mera luz nova que vem.
***
A lua começa a ser real.
II
Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender
das luzes nas grandes cidades
E a mão de mistério que abafa o bulício,
E o cansaço de tudo em nós que nos corrompe
Para uma sensação exata e precisa e
ativa da Vida!
Cada rua é um canal de uma Veneza de tédios
E que misterioso o fundo unânime das ruas,
Das ruas ao cair da noite, ó Cesário
Verde, ó Mestre,
Ó do "Sentimento de um Ocidental"!
***
Que inquietação profunda, que desejo
de outras coisas,
Que nem são países, nem momentos, nem
vidas,
Que desejo talvez de outros modos de estados de alma
Umedece interiormente o instante lento e longínquo!
***
Um horror sonâmbulo entre luzes que se acendem,
Um pavor terno e líquido, encostado às
esquinas
Como um mendigo de sensações impossíveis
Que não sabe quem lhas possa dar ...
***
Quando eu morrer,
Quando me for, ignobilmente, como toda a gente,
Por aquele caminho cuja idéia se não
pode encarar de frente,
Por aquela porta a que, se pudéssemos assomar,
não assomaríamos
Para aquele porto que o capitão do Navio não
conhece,
Seja por esta hora condigna dos tédios que
tive,
Por esta hora mística e espiritual e antiquíssima,
Por esta hora em que talvez, há muito mais
tempo do que parece,
Platão sonhando viu a idéia de Deus
Esculpir corpo e existência nitidamente plausível.
Dentro do seu pensamento exteriorizado como um campo.
***
Seja por esta hora que me leveis a enterrar,
Por esta hora que eu não sei como viver,
Em que não sei que sensações
ter ou fingir que tenho,
Por esta hora cuja misericórdia é torturada
e excessiva,
Cujas sombras vêm de qualquer outra coisa que
não as coisas,
Cuja passagem não roça vestes no chão
da Vida Sensível
Nem deixa perfume nos caminhos do Olhar.
***
Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira
que eu não tenho nem quero ter.
Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio
A esta hora em que eu não posso ver que tu
me olhas,
Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta
a ti própria
— Tu que me conheces — quem eu sou ...
ÁLVARO
DE CAMPOS
|
Toni
Frissell,
or Antoinette Frissell Bacon, (March 10, 1907 - April
17, 1988) was an American photographer, known for
her fashion photography, World War II photographs,
portraits of famous Americans and Europeans, children,
and women from all walks of life.
Antoinette
Frissell was born in 1907 in New York City, New York,
but took photos under the name Toni Frissell, even
after her marriage to Manhattan socialite McNeil Bacon.
She worked with many famous photographers of the day,
as an apprentice to Cecil Beaton, and with advice
from Edward Steichen. Her initial job, as a fashion
photographer for Vogue in 1931, was due to Condé
Montrose Nast personally. She later took photographs
for Harper's Bazaar. Her fashion photos, even of evening
gowns and such, were often notable for their outdoor
settings, emphasizing active women.
Toni Frissell (1907-1988) began her career as a photojournalist
and fashion photographer about the time Frances Benjamin
Johnston's was winding down. She demonstrated a versatility
equal to Johnston's in her work as a staff photographer
for Vogue, Harper's Bazaar, and Sports Illustrated
and in her publication of several photographically
illustrated books, ranging from A Child's Garden of
Verses (1944) to The King Ranch, 1939-1944 (1975).
Frissell´s
Carreer
Frissell
is perhaps best known for her pioneering fashion
photography and her informal portraits of the famous
and powerful in the United States and Europe, including
Winston Churchill, Eleanor Roosevelt, and John F.
and Jacqueline Kennedy. She is noted for taking
fashion photography out of the studio into the outdoors,
thus placing an accent on the active woman. She
is also known for the imaginative angles, both physical
and metaphorical, from which she covered her subjects.
The Toni Frissell Collection
(340,000 items, ca. 1930-69) includes 270,000 black-and-white
negatives, 42,000 color transparencies, and 25,000
enlargement prints, as well as proof sheets, not
all of which have been processed for general use.
Frissell's own selection of about 1,800 of her best
and most representative photographs have been processed
for use (LOT 12452) and provide a substantial representation
of Frissell's chief interests:
- children
-fashion
-families
-leisure activities such as eating and drinking
-members of American and British upper classes
-well-known personalities
-sports
Other processed groups of images include a substantial
portion of Frissell's documentation of World War
II military and civilian activities, both in the
United States and abroad. Frissell focused in particular
on women's contributions during the war, including
their Red Cross activities and a 1943 visit by Women's
Auxiliary Army Corps (WAAC) director Oveta Culp
Hobby to two WAAC facilities.
Frissell
documented women from all walks of life and in all
situations, sometimes using them to comment on the
human condition. Thus, in the single year of 1957,
her work ranged from her quiet portrayal of an elderly
African American woman enjoying a barefoot moment
fishing in the Tidal Basin in Washington, D.C. (LC-F9-02-5706-053-06),
to an intimate portrait of actress Elizabeth Taylor
with her husband Mike Todd and their infant daughter
(LC-F9-52-5709-52A-26); and from a lyrical depiction
of two nuns clamming on Long Island (LC-F9-04-5709-012-07)
to a shot of a woman taking a “snooze”
on the beach at Waikiki (LC-F9-04-5711-015-22).
Frissell's
personal papers, which have not yet been prepared
for general use, will be transferred to the Manuscript
Division when the entire photograph collection has
been processed.
From:
http://memory.loc.gov/ammem/awhhtml/awpnp6/frissell_coll.html
|