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Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que
quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao
abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que
trono te querem dar
Que*Átropos to não tire?
Que
louros que não fanem
Nos arbítrios de *Minos?
Que
horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que
serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe
as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te
ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.
RICARDO REIS
19
de Junho de 1914
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*Átropos
Em
Roma, as Parcas (equivalentes às Moiras na mitologia
grega) eram três deusas: Nona (Cloto), Décima
(Láquesis) e Morta (Átropos).
Determinavam
o curso da vida humana, decidindo questões como
vida e morte, de maneira que nem Júpiter (Zeus)
podia contestar suas decisões. Nona tecia o fio
da vida, Décima cuidava de sua extensão
e caminho, Morta cortava o fio. Eram também designadas
fates, daí o termo em ingles "fate"(destino)
é interessante notar que em Roma se tinha a estrutura
de calendário solar para os anos, e lunar para
os atuais meses. A gravidez humana é de nove
luas, não nove meses; portanto Nona tece o fio
da vida no útero materno, até a nona lua;
Décima representa o nascimento efetivo, o corte
do cordão umbilical, o início da vida
terrena, o individuo definido, a décima lua.
Morta é a outra extremidade, o fim da vida terrena,
que pode ocorrer a qualquer momento.
*Minos
Na mitologia grega, Minos foi um rei da ilha de Creta
semi-lendário, filho de Zeus e de Europa. A civilização
minóica teve esse nome derivado de Minos.
De acordo com a mitologia, depois de morto, Minos desceu
ao mundo subterrâneo onde se tornou um dos juizes
dos mortos. No poema épico Inferno de Dante,
Minos ouve as confissões dos mortos e designa-os
a um círculo e subcírculo específico,
de acordo com a falta mais grave relatada.
Em
parte devido ao fato de não ter sido decifrada
a escrita minóica (*linear A),
não é certo se "Minos" é
um nome ou se seria a palavra cretense para "rei".
Estudiosos fazem notar a interessante semelhança
entre "Minos" e os nomes de outros primeiros
reis da antiguidade, como Menés – do Egito,
Mannus – da Alemanha, Manu – da Índia
etc. Segundo evidências ele pode ter existido
e vivido por volta de 1.500 a.C. e unificado os Minóicos
em um só governo, e construído a primeira
armada minóica que foi destruida 30 anos depois
pela erupção do vulcão Santorini.
*Escrita
Linear A era uma forma de escrita, ainda não
decifrada, utilizada na Creta antiga. O linear B, com
que é relacionado, foi decifrado nos anos 1950
por Michael Ventris, que descobriu tratar-se de uma
forma antiga do grego. Embora as duas escritas tenham
diversos símbolos em comum, a aplicação
ao linear A das sílabas associadas com o linear
B produz palavras sem ligação com nenhuma
língua conhecida. A língua, chamada minóica
ou eteocretense, corresponde a um período da
história de Creta anterior
às invasões dos gregos micênicos,
ocorridas em 1400 a.C..
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Juarez Machado
(Joinville, 16 de março
de 1941) é um artista plástico brasileiro.
Além de dedicar-se à pintura, é
também escultor, desenhista, caricaturista, mímico,
designer, cenógrafo, escritor, fotógrafo
e ator.
Em
1954 mudou-se para Curitiba, matriculando-se na Escola
de Música e Belas-Artes do Paraná. Recém-formado,
em 1964 realizou sua 1ª mostra individual na Galeria
Cocaco, de Curitiba, iniciando uma carreira de grande
sucesso. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1966, onde
residiu por vinte anos. Através de seus desenhos
de humor, projeta-se nacionalmente. Além do desenho
e da pintura, fez incursões pela mímica,
cenografia, programação visual, ilustração
e escultura. Foi chargista dos principais jornais brasileiros
e mímico no programa Fantástico, da TV
Globo. No final dos anos 70 voltou-se totalmente para
a pintura.
Pretendendo
internacionalizar seu trabalho, em 1978 Juarez viajou
a Nova Iorque, Londres e, finalmente, foi para Paris,
onde fixou residência em 1986 e montou ateliê,
sem prejuízo dos ateliês já instalados
no Rio de Janeiro e em Joinville.
Juarez
Machado recebeu inúmeros prêmios, tanto
no Brasil como no exterior. Tem feito exposições
freqüentes nos Estados Unidos e na Europa.
Nas
palavras de Isaac Ortizar, celebra-se na obra de Juarez
Machado um hino à mulher sofisticada, intimista
e sensualmente poético: " A mulher para
Juarez Machado é o tema e também a atmosfera
de suas pinturas....sua obra vem assim renovar a leitura
de um tema clássico, para libertar através
dele novas nuances claramente inspiradas pelo espírito
dos nossos dias, e também por uma ambientação
retro".
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